UNESP -
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - "Júlio
de Mesquita Filho"
FACULDADE
DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO
- Campus
Universitário de Bauru
Textos Bíblicos e Eclesiásticos ÊX 20,
2-17
"Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei
do Egito, da casa da servidão. Não
terás deuses estrangeiros diante de
mim. Não farás para ti imagem
de escultura, nem figura alguma de tudo o que
há em cima no céu, e do que haja
nas águas debaixo da terra. Não
as adorarás, nem lhes darás culto:
porque eu sou o senhor teu Deus, o Deus forte,
e zeloso, que vinga a iniquidade dos pais nos
filhos até à terceira, e quarta
geração daqueles que me aborrecem;
e que faz misericórdia até mil
gerações àqueles que me
amam, e que guardam os meus preceitos.
Não tomarás em vão o
nome do Senhor teu Deus: porque o Senhor não
terá por inocente aquele que toma em
vão o nome do Senhor seu Deus.
Lembra-te de santificar o
dia de sábado.
Trabalharás seis dias, e farás
neles tudo o que tens para fazer. O sétimo
dia porém é o dia do descanso
consagrado ao senhor teu Deus. Não farás
nesse dia obra alguma, nem tu, nem teu filho,
nem tua filha, nem o teu escravo, nem a tua
escrava, nem a tua besta, nem o peregrino que
vive das tuas portas para dentro. Porque o
Senhor fez em seis dias o céu, e a terra,
e tudo o que neles há e descansou ao
sétimo dia. Por isso o Senhor abençoou
o dia sétimo, e o santificou.
Honrarás a teu pai, e tua mãe,
para teres uma vida dilatada sobre a terra,
que o Senhor teu Deus te há de dar.
Não matarás.
Não cometerás adultério.
Não furtarás.
Não dirás falso testemunho contra
o teu próximo.
Não cobiçarás a casa
do teu próximo: não desejarás
a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva,
nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa
alguma que lhe pertença".
Texto
nº 02
MT 5, 3-16 . 21-48
"Bem - aventurados os pobres de espírito:
porque deles é o reino dos céus.
Bem
- aventurados os mansos: porque eles possuirão
a terra.
Bem
- aventurados os que choram: porque eles
serão consolados
Bem
- aventurados os que têm fome e
sede de justiça; porque eles serão
fartos.
Bem
- aventurados os misericordiosos: porque
eles alcançarão misericórdia.
Bem
- aventurados os limpos de coração:
porque eles verão a Deus
Bem
- aventurados os pacíficos: porque
eles serão chamados filhos de Deus
Bem
- aventurados os que padecem perseguição
por amor da justiça: porque deles é o
reino dos céus.
Bem
- aventurados sois, quando vos injuriarem,
e vos perseguirem, e disserem todo mal contra
vós, mentindo, por meu respeito. Folgai,
e exultai, porque o vosso gáudio será copioso
nos céus: pois assim também perseguiram
os profetas que foram antes de vós.
Vós sois o sal da terra. E se o sal
perder a sua força, com que outra coisa
se há de salgar? Para nenhuma coisa
mais fica servindo, senão para se lançar
fora e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não
pode esconder-se uma cidade situada sobre um
monte. Nem os que acendem uma luzerna a metem
debaixo do alqueire, mas põem-na sobre
o candeeiro, a fim de que ela dê luz
a todos os que estão na casa. Assim
luza a vossa luz diante dos homens. Que eles
vejam as vossas boas obras e glorifiquem a
vosso pai, que está nos céus".
(Mt 5,3-16).
" Ouvistes que foi dito aos antigos:
Não matarás: e quem matar será réu
no juízo. Pois eu digo- vos: que todo
o que se ira contra seu irmão, será réu
no juízo. E o que disser a seu irmão:
Raca, será réu no conselho: e
o que lhe disser: És um tolo, será réu
do fogo do inferno..
Portanto,
se tu estás fazendo a tua
oferta diante do altar, e te lembrar aí que
teu irmão tem contra ti alguma coisa:
deixa ali a tua oferta diante do altar e vai-te
reconciliar primeiro com teu irmão:
e depois virás fazer a tua oferta...
Ouvistes
que foi dito aos antigos: Não
adulterarás. Eu porém digo-vos:
que todo o que olhar para uma mulher cobiçando-a,
já no seu coração adulterou
com ela...
Também foi dito: Qualquer que se desquitar
de sua mulher, dê-lhe carta de repúdio.
Mas eu vos digo: que todo o que repudiar a
sua mulher, a não ser por causa de fornicação,
a faz ser adúltera: e o que tomar a
repudiada, comete adultério.
Igualmente
ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso: mas cumprirás
ao Senhor os teus juramentos. Eu porém
vos digo: que absolutamente não jureis,
nem pelo céu, porque é o trono
de Deus: nem pela terra porque é o assento
de seus pés: nem por Jerusalém,
porque é a cidade do grande rei: nem
jurarás pela tua cabeça, pois
não podes fazer que um cabelo teu seja
branco ou negro: porque tudo o que daqui passa,
procede do mal.
Vós tendes ouvido o que se disse: Olho
por olho, e dente por dente. Eu porém
digo-vos, que não resistais ao que vos
fizer mal: mas se alguém te ferir na
tua face direita, oferece-lhe também
a outra. E ao que quer demandar-te em juízo,
e tirar-lhe a tua túnica, larga-lhe
também a capa. E se qualquer te obrigar
a ir carregado mil passos, vai com ele ainda
mais outros dois mil. Dá a quem te pede,
e não voltes as costas ao que deseja
que lhe emprestes.
Tendes
ouvido que foi dito: Amarás
ao teu próximo, e aborrecerás
a teu inimigo.
Mas
eu vos digo: Amai a vossos inimigos, fazei
bem aos que vos têm ódio: orai
pelos que vos perseguem e caluniam: para serdes
filhos de vosso Pai, que está nos céus,
o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus:
e vir chuva sobre justos e injustos. Porque
se vós não amais senão
os que vos amam, que recompensa haveis de ter?
Não fazem os publicanos também
o mesmo? E se vós saudardes somente
aos vossos irmãos, que fazeis nisso
de especial? Não fazem também
assim os gentios? Sede vós logo perfeitos,
como também vosso Pai celestial é perfeito".
(Mt 5, 21 - 48)
Texto
nº 03
JOÃO
PAULO II - CENTESIMUS ANNUS
...
Para a Igreja, a mensagem social do Evangelho
não deve ser considerada uma teoria,
mas sobretudo um fundamento e uma motivação
para a ação. Impelidos por esta
mensagem, alguns dos primeiros cristãos
distribuíam os seus bens pelos pobres
e davam testemunho de que era possível
uma convivência pacífica e solidária,
apesar das diversas proveniências sociais.
Pela força do Evangelho, ao longo dos
séculos, os monges cultivaram as terras,
os religiosos e as religiosas fundaram hospitais
e asilos para os pobres, as confrarias, bem
como homens e mulheres de todas as condições
empenharam-se a favor dos pobres e dos marginalizados,
convencidos de que as palavras de Cristo: "Cada
vez que fizestes estas coisas a um dos meus
irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes" (Mt
25,40), não deviam permanecer um piedoso
desejo, mas tornar-se um compromisso concreto
de vida.
A
Igreja está consciente hoje mais
que nunca de que a sua mensagem social encontrará credibilidade
primeiro no testemunho das obras e só depois
na sua coerência e lógica interna.
Desta convicção provém
também a sua opção preferencial
pelos pobres, que nunca deve ser exclusiva
nem discriminatória relativamente aos
outros grupos. Trata-se, de fato, de uma opção
que não se estende apenas à pobreza
material, dado que se encontram, especialmente
na sociedade moderna, formas de pobreza não
só econômica mas também
cultural e religiosa. O amor da Igreja pelos
pobres, que é decisivo e pertence à sua
constante tradição, impele-a
a dirigir-se ao mundo no qual, apesar do progresso
técnico-econômico, a pobreza ameaça
assumir formas gigantescas. Nos Países
ocidentais, existe a variada pobreza dos grupos
marginalizados, dos anciãos e doentes,
das vítimas do consumismo, e ainda de
tantos refugiados e emigrantes; nos Países
em vias de desenvolvimento, desenham-se no
horizonte crises dramáticas se não
forem tomadas medidas internacionalmente coordenadas.
O
amor ao homem - e em primeiro lugar ao pobre,
no qual a Igreja vê Cristo - concretiza-se
na promoção da justiça.
Esta nunca se poderá realizar plenamente,
se os homens não deixarem de ver no
necessitado, que pede ajuda para a sua vida,
um importuno ou um fardo, para reconhecerem
nele a ocasião de um bem em si, a possibilidade
de uma riqueza maior. Só esta consciência
dará a coragem para enfrentar o risco
e a mudança implícita em toda
a tentativa de ir em socorro do outro homem.
De fato, não se trata apenas de "dar
o supérfluo", mas de ajudar povos
inteiros, que dele estão excluídos
ou marginalizados, a entrarem no círculo
do desenvolvimento econômico e humano.
Isto será possível não
só fazendo uso do supérfluo,
que o nosso mundo produz em abundância,
mas sobretudo alterando os estilos de vida,
os modelos de produção e de consumo,
as estruturas consolidadas de poder, que hoje
regem as sociedades. Não se trata de
destruir instrumentos de organização
social que deram boa prova de si, mas principalmente
de os orientar segundo uma concepção
adequada do bem comum dirigido a toda a família
humana. Hoje está-se a verificar a denominada "mundialização
da economia" (globalização),
fenômeno este que não deve ser
desprezado, porque pode criar ocasiões
extraordinárias de maior bem-estar.
Mas é sentida uma necessidade cada vez
maior de que a esta crescente internacionalização
da economia correspondam vários organismos
internacionais de controle e orientação
que encaminham a economia para o bem comum,
já que nenhum Estado por si só,
ainda que fosse o mais poderoso da terra, seria
capaz de o fazer. Para poder conseguir tal
resultado é necessário que cresça
o entendimento entre os grandes Países,
e que nos organismos internacionais sejam relativamente
representados os interesses da grande família
humana. Mas impõe-se também que,
ao avaliarem as conseqüências das
suas decisões, tenham em devida conta
aqueles povos e Países que têm
escasso peso no mercado internacional, mas
em si concentram as necessidades mais graves
e dolorosas, e necessitam de maior apoio para
o seu desenvolvimento. Sem dúvida, há ainda
muito a fazer neste campo.
Para
se cumprir a justiça e serem bem
sucedidas as tentativas dos homens para a realizar, é necessário
o dom da graça que vem de Deus. Por
meio dela, em colaboração com
a liberdade dos homens, obtém-se aquela
misteriosa presença de Deus na história
que é a Providência.
Texto
nº 04
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1996
A
CF quer evangelizar, em vista da vida fraterna
e da transformação social, a
partir de um aspecto concreto da vida. Este
aspecto, assumido como tema de uma CF, é analisado, à luz
da Palavra de Deus, no espírito quaresmal,
em preparação da Páscoa,
segundo o método ver-julgar-agir. O
tema é abordado de diversas formas e
sob diversas dimensões. É refletido
nos roteiros catequéticos, nas homilias,
nos círculos bíblicos, nas mensagens
nos meios de comunicação, no
cartaz, nos cantos. É celebrado na liturgia
por meio de celebrações da Palavra,
da Eucaristia, Via-Sacra, flora Eucarística,
Celebraçao da Misericórdia...
O
tema da CF de 1996, Fraternidade e Política,
exige especial esforço para perpassar
todos estes meios e estes momentos da vida
das comunidades e grupos. Para muitos é um
assunto alheio à abordagem do ponto
de vista religioso, litúrgico, catequético;
não é assunto de interesse ou é rejeitado
pela imagem negativa que carrega.
Este
tema foi escolhido por ter sido indicado
por diversos Regionais e porque é necessária
a formação da consciência
política das pessoas a fim de que exerçam
sua cidadania. O cidadão deve conhecer
seus direitos e deveres para uma convivência
social condizente com a dignidade da pessoa
humana. 1996 será propício para
a reflexão sobre o assunto porque o
Governo nos níveis federal e estadual
estará entrando em seu segundo ano e
porque haverá eleições
municipais.
Assim, a CF de 1996 tem os seguintes objetivos:
*
geral: contribuir para a formação
política dos cristãos para que
exerçam sua cidadania sendo sujeitos
da construção de uma sociedade
justa e solidária;
*
específicos:
1º) ampliar o conceito de política
para além de processos eleitorais;
2º) oferecer elementos para um novo exercício
da política a partir do pobre e do excluído;
3º) incentivar as pessoas a se tornarem
sujeitos da ação política
na promoção do bem comum;
4º) clarear a ligação da
política com o cotidiano das relações
familiares, comunitárias e eclesiais;
5º) estimular a militância política
e o exercício de cargos públicos
revisando permanentemente a prática
do poder.
O
Texto-base oferece a devida fundamentação
e justificação para a escolha
e o tratamento do tema. A transcrição
de alguns textos de documentos da Igreja e
a indicação de outros podem ajudar
numa motivação ao estudo da temática.
I)
Documento Igreja, Comunhão e Missão
na Evangelização dos povos, no
mundo do trabalho, da política e da
cultura (Col. Doc. da CNBB, nº 40, Ed.
Paulinas, 1988):
- "A Igreja não pode ignorar a
política, não apenas enquanto
instrumento necessário de organização
da vida social, mas sobretudo enquanto expressão
de opções e valores que definem
os destinos do povo e a concepção
do homem" (nº 185).
- "A razão mais profunda da atitude
da Igreja frente à política decorre
da consciência evangélica de sua
missão. Cabe-lhe iluminar o horizonte
da política pela verdade sobre o homem
que ela professa" (nº 203).
- "Do ponto de vista ético ou
dos valores, a política é o conjunto
de ações pelas quais os homens
buscam uma forma de convivência entre
os indivíduos, grupos, nações
que ofereça condições
para a realização do bem comum.
Do ponto de vista dos meios ou da organização,
a política é o exercício
do poder e a luta para conquistá-lo.
Enquanto abrange, de certo modo, toda a sociedade
e procura regular toda a vida social, a política
se torna também expressão de
uma concepção do homem e de projetos
globais, e suscita tanto os mais nobres ideais
quanto paixões e egoísmo" (nº 184).
2)
Documento Exigências Cristãs
de uma Ordem Política (Col. Doc, da
CNBB, nº 10, Edições Paulinas,
1977).- "A participação Política é uma
das formas mais nobres do compromisso a serviço
dos outros e do bem comum. Ao contrário,
a falta de educação política
e a despolitização de um povo,
e especialmente dos jovens, pela qual fossem
reduzidos à condição de
simples espectadores ou de atores de uma participação
meramente simbólica, prepararia e consolidaria
a alienação da liberdade do povo
nas mãos da tecnocracia de um sistema" (nº 27)