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UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - "Júlio de Mesquita Filho"
FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO - Campus Universitário de Bauru
Capítulo IV - Atualização de Textos Bíblicos e Eclesiásticos

2. Mt 5, 3 - 16 . 21 - 48

O contexto em que Jesus prega o Sermão da Montanha é o de um mundo judeu humilhado pela dominação romana. Aos que nele pretendiam ver o Messias Libertador, o Filho do Rei Davi com seu gládio poderoso, o pobrezinho de Nazaré - mil e duzentos anos depois tão fielmente imitado pelo "poverello de Assis"- não apresenta o discurso teofânico e apodídico do Sinai. Faz promessas, mas não faz ameaças. Não se dirige aos proprietários nem aos poderosos. Também não prega apenas o respeito, mas o amor, o perdão. E declara bem aventurados os pobres, os pacíficos, os que choram, os injustiçados, os perseguidos, os injuriados, os caluniados. Falando no meio do povo simples, sem pompa nem púlpitos, Ele não vai em busca dos sábios e dos doutores da lei, pelo contrário, execra-os de público por sua corrupção e falsidade ("sepulcros caiados", "cegos guiando cegos"), nasce numa gruta entre pastores, cerca-se de pescadores, procura os excluídos e marginalizados de seu tempo: cegos, doentes, prostitutas, cobradores de impostos...

Sabendo que ninguém persuade sem estar persuadido ele não se limita a pregar aos discípulos, mas trata de definí-los como formadores de opinião, como profetas do mundo novo, como comunicadores da palavra. Uma palavra que deve ser firme, vigorosa, segura e continuada como o sal que não para mais quando começa a salgar; como a luz que existe para ser vista, para alumiar, não para ficar escondida. Esse trecho do Sermão da Montanha pode ser visto como um sinal de bênção para todo aquele que se dispõe a ceder sua inteligência, seus braços, seus pés, seu tempo e tudo o que tem para pregar o Evangelho. É o mandamento dos comunicadores cristãos, mais tarde reforçado pelo "ide e ensinai a todos os povos". Mas a palavra sem obras não vale nada por isto ele destaca a coerência do exemplo de vida ("ato e pessoa", define Perelman): "Que eles vejam as vossas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus").

Os versículos 21-48 desse Discurso Programa narrado tão inspiradamente por Mateus, constituem um verdadeiro desdobramento da Lei antiga. Podemos ver melhor através do seguinte esquema:

Antigo testamento

1 - Não matar

2 - Não praticar adultério

3 - É permitido o desquite

4 - Só jurar em nome de Deus

5 - Olho por olho

6 - Dente por Dente

7 - Amar o próximo e

aborrecer-se com os inimigos

Novo testamento

1 - Amar, perdoar, reconciliar-se

2 - Não assediar/ não importunar/ não

"paquerar" a mulher do próximo

3 - Deve-se respeitar o que Deus uniu

4 - Não jurar jamais

5 - Jamais se vingar, dar a outra face,

6 - Sequer desejar mal ao irmão

7 - Amar os inimigos, aos que odeiam,

porque nisto está a perfeição

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