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UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - "Júlio de Mesquita Filho"
FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO - Campus Universitário de Bauru
Capítulo IV - Atualização de Textos Bíblicos e Eclesiásticos

3. Encíclica Centesimus Annus (J. Paulo II, 1º/05/1991)

A Centesimus Annus está contextuada no mundo socialmente injusto do capitalismo selvagem, desenfreado, voraz, ganancioso, concentrador de lucros a qualquer custo, até mesmo à custa da vida alheia, da humilhação dos povos, do empobrecimento das nações.

Embora cometa pecados históricos por se afastar, às vezes, dos mais necessitados para estar com os ricos e poderosos - como em tantos exemplos ao longo dos séculos - a Igreja tem feito muito pelos pobres. Mesmo na Idade Média impulsionou a cultura e guardou o acervo dos antigos clássicos. Disseminou a ética e a moral entre os povos, levou o Evangelho para todo o mundo. Muitos missionários foram martirizados a serviço da Fé. A Igreja abriu asilos de idosos, Santas Casas de Misericórdia, Instituições de Amparo à criança, aos jovens, aos exilados do mundo inteiro. Sua obra é incomparável e supera de muito as eventuais falhas.

Na Encíclica, o Papa prega a partilha dos bens que denota fraternidade, respeito ao ser humano, amor ao próximo. Que vem a ser, hoje, a partilha dos primeiros cristãos senão a justiça social mediante a equânime distribuição da renda mundial? Buscando o excluído, o pobre, o despossuído, o doente, o desempregado, o jovem ansioso por um mundo melhor, a Igreja está colocando em prática a sua Fé. O Papa insiste que primeiro é preciso dar exemplo, depois pregar a palavra. Explica que optar pelos pobres, não significa estabelecer divisões de classes mas olhar o homem como um todo, em sua dimensão de pessoa, pois ser pobre não é apenas não ter bens materiais, é não ter paz de espírito, não ter cultura, não ter bom senso, não ter espírito de justiça. Há pessoas financeiramente muito ricas mas espiritualmente muito pobres por não conseguirem se abrir para os irmãos.

A Encíclica também ensina que amar é ser justo. Não é dar o supérfluo, mas o essencial. Também os países ricos devem pensar no bem comum da humanidade, principalmente quando se fala em globalização.

O Papa exorta a Igreja a não desanimar diante dos problemas do mundo, aparentemente insuperáveis. Lembra que Deus está presente na história. O crente deve pedir à Divina Providência que ilumine os poderosos para que respeitem os mais fracos e que pratiquem a justiça social, fugindo do egoísmo e do ódio que destrói e aniquila o homem ao provocar guerras, extermínios, miséria, fome, desemprego etc.

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