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UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - "Júlio de Mesquita Filho"
FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO - Campus Universitário de Bauru
Capítulo IV - Atualização de Textos Bíblicos e Eclesiásticos
O injusto conquista lucro enganoso.
Quem pratica a justiça busca a vida;
quem segue o mal caminha para
a morte".
Provérbios (11, 18-19 )

1. Ex 20,2 - 17
2. MT, 5, 3 - 16. 21-48
3. Encíclica Centesimus Annus (J.Paulo II/1º/05/1991)
4. Campanha da Fraternidade 1996 (CNBB)

Nos quatro textos aqui apresentados está sempre explícita a noção de amor e respeito ao próximo através da coerência entre palavra e ato. No Antigo Testamento - devido à rusticidade do povo, como explica o próprio Jesus - Deus dita as normas para uma vida feliz e ameaça com severa punição, dentro do cenário que alguns chamam de "teofania do Sinai", tal a impressionante grandiosidade do ambiente que cercou a entrega das tábuas da lei a Moisés (os Dez Mandamentos). Era uma época de pouca cultura, em que as etnias viam sentido em adorar um pedaço de barro, de pedra ou de madeira como "deus". É bem verdade que até meados do séc. XII alguns povos nórdicos ainda acreditavam em deuses pagãos. Mas o culto ao monoteísmo do Deus Verdadeiro ganhou corpo com a pregação evangélica, no Novo Testamento, por todo o mundo.

No Discurso-Programa de Jesus, um dos textos mais bonitos do Novo Testamento (Marx disse que adotaria o Sermão da Montanha), Jesus lança os fundamentos de um Mundo Novo. Aos Judeus revoltados com a dominação romana, ele prega a paz, o perdão, o amor, a misericórdia, mostrando que a verdadeira força do homem não está nas armas, no dinheiro, no poder político, mas na sua capacidade de relacionar-se com Deus, concretamente, através do serviço aos irmãos. Ele ensina aos comunicadores do Reino como proceder para convencer e persuadir o povo sobre os novos valores da Fé.

Da mesma forma, a Encíclica Centesimus Annus (1º.05.1991), celebrando os cem anos da Rerum Novarum, proclamada por Leão XIII em 15.05.1891, vem lembrar os primeiros tempos quando os cristãos partilhavam seus bens com os pobres, dando exemplos práticos de amor e de fraternidade. Ressalta que amar é ser justo e alerta que a Globalização não deveria ser instrumento de aniquilamento das nacionalidades, mas uma oportunidade de crescimento para os países pobres, onde há miséria, fome e desemprego. Destaca a presença de Deus na História para julgar a conduta dos homens.

Finalmente a C.F. de 1996 ensina que amar o próximo é instruí-lo, é conscientizá-lo, é incentivá-lo a não se omitir, a participar das instâncias de decisão política que influenciam a vida do povo. Instrução, comunicação significam partilhar a palavra como Cristo que se revelou aos discípulos de Emaús no ato de partilhar o pão: Cristão é aquele que partilha, que participa, que se abre para o irmão, fraternalmente: "Por vossas obras os conhecerão!"

Pode-se observar, claramente, nestes quatro trechos escolhidos ao acaso dentro do discurso religioso que, apesar dos séculos que separam um do outro, todos têm em comum a mesma mensagem do "amor ao próximo", do "respeito aos irmãos". É a pregação que se vê do Livro do Êxodo até à Campanha da Fraternidade. É essa unidade que dá sentido ao discurso, muito embora eventuais desvios que afastaram a Igreja de sua missão junto aos excluídos durante algum tempo. Mas a própria Igreja, membro do corpo místico que tem em Cristo a sua cabeça, reconhece-se "santa e pecadora", abrindo-se diariamente à conversão e ao encontro do Ressuscitado.

Pregar o amor ao próximo é a missão. Porém o que dá sentido à vida é dar exemplos práticos de amor e respeito ao próximo. Isto significa ir ao encontro do irmão, vendo nele a imagem e a semelhança do próprio Cristo: "Cada vez que fizestes isso a um dos menores desses meus irmãos, a mim o fizestes". (Mt 25,40)

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