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ANEXO

Proposta de Aplicação Prática

1. Como integrar o mercado do interior com os estudantes de Jornalismo da Unesp/Bauru

Em Bauru, no centro geográfico do estado, situa-se o único curso público de jornalismo do interior de São Paulo, oferecendo anualmente cerca de 300 vagas, cada uma das quais disputada por cerca de 28 candidatos de todo o país.

O curso está alocado no Departamento de Comunicação Social, que também oferece habilitações em Relações Públicas e Rádio e TV. As aulas também são ministradas pelos professores do Departamento de Ciências Humanas. Nos dois Departamentos, ambos pertencentes à Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação a maioria dos professores tem doutorado ou pelo menos mestrado.

Ao longo do ano são realizados eventos promovidos pelos dois departamentos e também pelos alunos. Os laboratórios de Editoração têm conexão livre com a Internet. Muitos alunos são procedentes de cidades do interior de São Paulo e levam para a sala de aula suas experiências com o jornalismo regional. Entretanto, a maioria dos profissionais que se forma em Bauru vai tentar a vida nos grandes centros, devido aos baixos salários pagos no interior.

Acredita-se, porém, que se houvesse um contato maior entre a Universidade e as entidades de representação dos jornais do Interior, seria possível mudar para melhor esse estado de coisas. Através de convênios, os alunos poderiam escrever para os jornais comunitários divulgando as pesquisas em andamento na área acadêmica e outros assuntos de interesse geral. Os leitores dos jornais ganhariam com a elevação da qualidade dos textos; os alunos estariam praticando o jornalismo de verdade; a escola estaria divulgando suas atividades e os donos de jornais estariam prestando um bom serviço à sua comunidade e ao jornalismo em geral, pois muitos aprendem a prática no pequeno jornal, estudam a teoria na escola e depois então é que partem para os grandes vôos pela imprensa nacional. É o que ocorre na formação de pilotos, por exemplo. Aprende-se a voar no pequeno aeroclube do Interior e depois nada impede que o profissional acabe pilotando Boeings em rotas internacionais. E eles falam com orgulho da cidadezinha onde voaram “solo” pela primeira vez no monomotor do aeroclube sem asfalto...

Então, porque, no caso dos jornalistas, envergonharem-se do pequeno jornal da sua cidade? Cada jornal – por pior que seja – tem uma história, tem uma vida, tem uma luta, tem gente por trás.

O que estaria faltando, talvez, seria um primeiro encontro entre as partes interessadas. talvez um professor representando o Departamento; um aluno representando o Corpo Discente e um representante da Associação dos Jornais do Interior pudessem delinear, em traços gerais, esse tipo de parceria que seria, depois, incrementado pelos escalões superiores da própria Universidade. Talvez fosse conveniente a participação do Sindicato dos Jornalistas.

Enquanto ninguém se mexe, pode-se contabilizar como positiva a iniciativa do Prof. Dr. Antonio Carlos de Jesus, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da FAAC, que aceitou desafio feito pelo Prof. Dr. José Marques de Melo, da Universidade Metodista do Estado de São Paulo e Presidente da Cátedra Unesco para o Desenvolvimento Regional, durante o REGIOCOM-2002 promovido em Bauru no mês de julho de 2002. Na ocasião ele convocou o colega Antonio Carlos de Jesus a iniciar uma espécie de inventário da mídia regional para que se pudesse saber o que há em termos de jornais nesta região, num raio de 200 Km de Bauru, que tipo de jornais, como são impressos, quem os edita, qual a periodicidade, a tiragem etc.

O professor Antonio Carlos reuniu alguns alunos e professores interessados, solicitou bolsa para os estudantes e o levantamento foi iniciado em 2002 mesmo, revelando dados que vão ser de fundamental importância para a criação de um projeto de cooperação entre a Universidade, os Estudantes e os Jornais do Interior.

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