Todos
os anos, nesta época,
os povos latinos revivem as tradições
do Natal através do presépio, da árvore
decorada, dos presentes, da Missa do Galo, da adoração
dos Reis Magos...este ano, ao introduzirem na singeleza
do presépio (criado pelo santo da Não-Violência,
Francisco de Assis, no séc. XIII), as imagens
dos Reis Magos com seus turbantes característicos,
talvez um lampejo de incerteza tenha perpassado
a mente de muitas pessoas interligando a imagem
iconográfica do turbante a outros turbantes
que têm aparecido insistentemente no noticiário
desde 11 de setembro último...Porque esse
cenário de turbantes e de pastores, na singeleza
de uma gruta ou no bunker de uma caverna acaba
abalando os pilares do mundo e mexendo com a nossa
concepção de Bem e de Mal? Como podemos
saber se um turbante é do Bem ou do Mal?
O que leva os meios de comunicação
a fazerem essa opção e passá-la
adiante como verdade estabelecida? Será que
tanta informação não está desinformando,
como indaga Leão Serva em seu recente "Jornalismo
e Desinformação"? Segundo ele, após
onze anos de cobertura internacional sobre a Guerra
da Bósnia, poucos sabem, no mundo, quem
são os bósnios. Com tantos estereótipos
providencialmente fabricados e amplamente divulgados,
será que nós, hoje, também
sabemos quem são os árabes, quem
são os muçulmanos, o que é o
islamismo? Saberemos distinguir os turbantes ou
estamos apenas "turbados", neste alvorecer de 2.002
com o que pode ainda acontecer como conseqüência
dos atentados de 11 de setembro? Será que
ajudaria praticar um jornalismo mais investigativo,
que nos ajudasse a interpretar melhor os contextos
em que as imagens são geradas e são
transformadas em discursos universalmente válidos,
pelos séculos dos séculos? Ou esse
tipo de jornalismo ficou apenas no saudosismo dos "Anos
60" e já não tem mais lugar porque
as pessoas não têm mais tempo de procurar
entender a realidade, bastando-se com versões
entregues pela imprensa quais pacotes de Natal?
Bons repórteres, entretanto, não
abdicam da necessidade de serem completos, totais,
profundos em suas informações. Com
isto conquistam o respeito e a credibilidade de
seus receptores exatamente quando a correria das
novas tecnologias transforma-se num convite ao
imediatismo, ao superficialismo, à preguiça
na apuração e na pesquisa. Um simples
detalhe numa imagem, numa entrevista, numa declaração,
numa breve nota social pode dar margem a uma boa
matéria para o repórter que tem sensibilidade
para perceber o inusitado, que tem o "faro da notícia" como
se dizia na época do Novo Jornalismo. Vejamos
o que um repórter poderia produzir se observasse
alguns detalhes sobre essa história dos
turbantes na cena do presépio. De onde eles
saíram? O que representam? O que estão
fazendo ali? Qual o significado dessa imagem? Existe
alguma mensagem secreta nesse quadro, tal qual
o Pentágono temia existir nos vídeos
de Ossama Bin Laden transmitidos pela TV Al Jazira?
Porque o Evangelho de São Mateus relata
a adoração dos Reis Magos na Gruta
de Belém? De onde eles vieram?
Mito
e Comunicação
Quem
estuda a mitologia compreende a força do relato oral e imagético
ao qual os povos primitivos sempre recorreram
na tentativa de explicar o sentido da vida e
os fenômenos naturais. Todas as crenças
sempre buscaram no mito a dialética do
entendimento e da persuasão quando precisavam
comunicar-se com seus seguidores. Assim, o mito
está na base da comunicação
primordial. É sintomático que o
mito tenha sido, antes de tudo, uma expressão
não-verbal, permitindo ampla e profunda
interpretação ao ser transmitido
através dos contos populares. Ensina o
ditado popular que "quem conta um conto aumenta
um ponto". Na verdade a transmissão oral
ou pela imagem abre as portas para a própria
reinterpretação e recriação
do mito, de modo que ele revive no exato instante
em que se dá o processo de comunicação.
Isto
explicaria, talvez, a rejeição
dos sacerdotes celtas ( druidas), 700 anos antes
de Cristo em registrar o mito por escrito. Dessa
forma ficava em aberto à mais criativa
interpretação o papel de Mercúrio
como inventor das artes; de Apolo como curador
das doenças e das feridas de guerra; de
Marte, como protetor da guerra; de Júpiter
como governante do céu e dos astros; de
Minerva como protetora do trabalho e das profissões
etc. Se lembrarmos que a religião celta
durou mais 700 anos, depois de Cristo, até ser
desbancada pelo catolicismo, no Séc. VIII,
então compreenderemos o poder do mito
como meio de comunicação.
Hoje
a ciência refutou
praticamente toda a mitologia. Quando vemos com
os próprios olhos o homem caminhando sobre
a lua, não é mais necessário
escrever a Divina Comédia para retomar
o ensinamento greco-latino de que os poderes
celestes regem os planetas e dão ritmo à natureza,
tal qual imagina Dante Aligheri na viagem cósmica
de seus personagens descrevendo a aventura humana
com uma narrativa repleta de símbolos
e mitos. Depois de Freud, Adler e Jung podemos
compreender que os monstros abissais não
estão no "outro mundo", mas muito perto
de nós, no mundo em que vivemos, em círculos
muito conhecidos, quando não dentro de
nós mesmos, no nosso modo de ver o mundo.
Na
verdade, perguntamo-nos, hoje, do alto do nosso
saber, se o mito não é apenas
uma mentira, como na lenda de Papai Noel e tantas
outras. Encontramos uma resposta em Campbell
(1997) que afirma: "...na sua compreensão
primária da presença e operação
das leis comuns a toda a trama do universo – leis
que incluem vida humana, bem como os reinos animal,
vegetal e esferas celestes – a mitologia anunciou
não apenas o tema essencial, mas também
a principal fonte de fascínio da ciência
e, talvez, da própria vida". Portanto
o mito não pode ser compreendido como
uma mentira, senão como poesia, como metáfora,
como linguagem apropriada e decodificável
em seu contexto de produção e de
recepção.
Dispensar
o mito seria como dispensar a poesia. Pode
o homem viver sem a
poesia? Sem o imaginário? Sem o idealizado?
Sem a utopia? Afinal, sem esperança? Se
respondemos sem refletir a tais indagações
corremos o risco de julgar a mitologia dos povos
como um embuste cósmico, com o qual não
temos nada a ver...Mas a verdade é que
estamos inseridos nos mitos e "curtimos" cada
um deles consciente ou inconscientemente. Fazemos
o sucesso de obras baseadas na mitologia literária...basta
ver a "tolkienmania" de "Senhor dos Anéis" com
sites na Internet pelo mundo todo. E o que faz
John Ronald Revel Tolkien ( 1892-1973) senão
retomar os mitos dos povos nórdicos, aqueles
que eram considerados bárbaros mas que
conquistaram todo o Império Romano, no
Séc. VI, não só pelas armas
mas, principalmente, pela "infiltração" de
seus costumes e crenças nas demais culturas
que originaram a Europa atual? A magia das luzes,
os mistérios das valquírias, duendes,
anões, elfos e gnomos, as lendas dos vikings
que integravam o folclore dos fiordes escandinavos,
dinamarqueses, suecos e islândicos "incorporaram-se" de
forma tão sólida às demais
culturas que os países nórdicos
eram conhecidos como "oficina das nações", "berço
da humanidade".
Do
mesmo modo que conscientemente aderimos aos
mitos literários para fugir,
ainda que por breves momentos, da realidade dura
e crua – como em Harry Potter – também
vivenciamos tradições repletas
de conteúdo mítico sem nos darmos
conta de suas origens, muitas vezes, pagãs.
Montamos anualmente a Árvore de Natal
que os povos germânicos criaram para substituir
a adoração ao Carvalho Sagrado
de Odin. Celebramos o Natal no dia 25 de dezembro
sem sabermos sequer a data exata do nascimento
de Cristo, o que teria acontecido, segundo estudiosos,
quatro anos antes e cuja celebração
se dava ora em 06 de janeiro, ora em 25 de março,
tendo a data atual sido fixada em 440dC para "incorporar" – tal
qual o costume "bárbaro" – a festa mitráica
( religião persa que rivalizava com o
cristianismo na época) que celebrava o "natalis
invicti Solis" – nascimento do vitorioso sol.
Com o solstício de inverno, as noites
iam ficando mais curtas e os dias mais longos
favorecendo o trabalho no campo. Era a volta
do sol, da germinação, da produção,
da vida. Bastou aplicar o discurso "Cristo, luz
do mundo", para cristianizar o culto pagão
ao sol. Mais uma vez temos o discurso da imagem
e da tradição oral impondo-se como
potente processo de comunicação,
tal qual acontece em nossos dias quando vivenciamos
a chamada "civilização da imagem".
Portanto,
querendo ou não
vivemos sob os efeitos dos mitos até mesmo,
ou principalmente, quando nos deparamos com a "realidade
fabricada" magistralmente discutida no filme
de W. Herzog ( 1974) "O Enigma de Kaspar Hauser".
Analisando a temática do filme, o ensaísta
Izidoro Blikstein mostra como percebemos os objetos
que nossas práticas culturais já definiram
previamente, significando que a realidade já foi
fabricada por toda uma rede de estereótipos
culturais que condicionam a percepção.
Vale dizer que não existe nada de novo
no que se refere à lingüística.
Tudo o que imaginamos estar criando para nos
comunicarmos já foi criado antes, já está posto
no mundo da mitologia. Desse ponto de vista,
conforme Levi Strauss, tudo está em processo,
em transformação, em mudança...não
estamos criando o mundo novo, estamos recriando
o já criado, entretanto o fazemos ao nosso
modo, conforme os nossos tempos. Por isto os
semioticistas ensinam que "todo discurso é simulacro,
todo texto é representação,
não existindo texto sem subjetividade,
sem ideologia, sem visão do autor". Afinal,
linguagem é criação ideológica.
Assim
compreendemos o recurso à imagem
mítica para se fazer entender inclusive
no plano religioso numa época conturbada
em que as nações estavam sendo
plasmadas e, na falta de imperativos legais ainda
em construção, tocava à religião
o poder de comandar e dirigir os povos. Chegamos,
assim, à mitologia em torno dos Reis Magos,
considerados santos pela Igreja Católica
e até hoje muito celebrados na Europa
e nos países latinos –sempre no dia 6
de janeiro. Na península ibérica
esse é o dia de trocar presentes. No Brasil
as comunidades do interior celebram o "reisado" com
violeiros e cantadores folclóricos que
visitam as residências.
A
História dos Magos
Melquior,
Gaspar e Baltasar eram reis, magos, astrônomos ou astrólogos?
Porque os outros três evangelistas ( Marcos,
Lucas e João) não se referem à visita
dos Reis? Como tomaram conhecimento, ao mesmo
tempo, do nascimento de Jesus? Como chegaram
em Belém em apenas cinco dias se vieram
de reinos distantes?
As
versões atuais do
Novo Testamento esclarecem, por exemplo, a expressão
de Mateus 2,9-10: " ...e eis que a estrela que
tinham visto no Oriente os foi precedendo até chegar
sobre o lugar onde estava o menino e ali parou".
A explicação é que teria
ocorrido uma revelação interior
que fez os reis descobrirem a relação
entre o astro e o Messias. Há também
uma abordagem astrológica desde que o
astrônomo e astrólogo polonês
Johannes Kepler observou, na noite de 17 de dezembro
de 1603, em Praga, a conjunção
do planeta Júpiter ( que saiu da constelação
de Aquário) com Saturno na constelação
de Peixes, formando uma só estrela. Escritos
antigos contam que essa conjunção
teria se repetido 7 anos antes do nascimento
de Cristo, o que levou Kepler a divulgar nova
data para a verdadeira Noite de Natal. Mais tarde,
porém, ele ingressou no reino do misticismo
e sua teoria caiu no esquecimento.
Escritos
apócrifos (
isto é, não reconhecidos oficialmente
pela Igreja) entre eles o Evangelho Árabe
da Infância, publicado e traduzido pela
primeira vez em 1677, conta com mais detalhes
a Adoração dos Reis Magos: Na noite
do nascimento de Jesus um anjo guardião é enviado à Pérsia
e lá aparece em forma de estrela brilhante
em meio a uma grande festa. Três reis,
filhos de reis, tomaram então três
libras de ouro, incenso e mirra. Vestiram-se
com pompa e foram guiados pelo mesmo anjo, cumprindo-se,
assim, a profecia de Zoroastro, discípulo
de Elias....Depois de haverem adorado o Menino,
no quinto dia da semana posterior ao nascimento,
o anjo retorna e os guia de volta aos seus paises.
No Evangelho Armênio da Infância
aparecem os países de origem dos três
reis: Melkon ( ou Melquior) era Rei da Pérsia.
Baltazar era da Índia e Gaspar reinava
em um país árabe. Após o
aviso do anjo, eles caminharam por nove meses
até chegarem a Belém.
Os
textos apócrifos também
revelam outros detalhes da cena em que os Magos
estão diante do Menino Jesus: "...então
Maria pegou uma das faixas nas quais a criança
estava envolvida e deu-a aos magos que receberam-na
como uma dádiva de valor inestimável.
E nesta mesma hora apareceu-lhes um anjo sob
a forma de uma estrela que já lhes havia
servido de guia e eles partiram, seguindo a luz,
até que estivessem de volta à sua
pátria... Lá, os reis e príncipes
apressaram-se em se reunir em torno dos magos,
perguntando-lhes o que haviam feito, como haviam
ido e como haviam voltado e que companheiros
eles haviam tido durante a viagem. Os magos mostraram
a faixa que Maria lhes havia dado; em seguida,
eles celebraram uma festa, acenderam o fogo segundo
seus costumes e adoraram a faixa, e a jogaram
nas chamas, e as chamas envolveram-na. Ao apagar-se
o fogo, eles retiraram o pano e viram que as
chamas não haviam deixado sobre ele nenhum
vestígio".
Segundo
o pesquisador Alday ( 1998), "os apócrifos são, de
um modo geral, obras dos séculos II e
III da era cristã e procuram preencher
lacunas sobre a vida de Jesus e de outros personagens
importantes do Novo Testamento. Portanto, foram
escritos procurando satisfazer certa curiosidade
religiosa", daí não estarem incluídos
entre os chamados Livros Canônicos, dando
margem a muitas interpretações,
como ocorre com o chamado Evangelho de Tomé,
descoberto no Egito em 1945.
Como
as lendas e mitos são
sempre arbitrárias, sobrando ampla margem
de indagação a quem as ouve e as
transmite, naturalmente esses textos sobre os
Reis Magos sugerem muitas perguntas...se eram
de três lugares diferentes, como teriam
feito "uma festa"? Se caminharam durante nove
meses, não receberam o sinal da estrela
na Noite de Natal...Porque levaram incenso, ouro
e mirra? O que isto significa?
Em "Mytes et dieux dês
indo-européens" ( Coutau-Bérgarie,
Paris: Flamarion, 1992) Georges Dumézil
explica: "O incenso simbolizava o sacerdócio,
o ouro lembrava a realeza, a mirra reportava-se
ao estrato produtivo. Ademais, tais produtos
expressavam as idades do homem, a juventude e
a facundidade do trabalhador, a maturidade do
guerreiro, a velhice do sacerdote. Por fim, estavam
relacionados com os três filhos de Noé (
4.000aC) e, assim, com as raças humanas.
Segundo Hilário Franco Junior (1996), "a
identificação mítica entre
os Magos e Cristo aparece de forma clara no relato
das tradições populares registradas
por Marco Pólo: os três reis levavam
para o recém-nascido ouro para saber se
ele era um senhor terreno, incenso caso ele fosse
Deus e mirra se fosse eterno".
Segundo
o Livro de Marco Pólo(Serstevens,
Paris: Albin Michel, 1955)"o mais jovem dos três
reis, ao ver o Menino Jesus reparou que Ele tinha
sua própria idde e aparência. O
mesmo ocorreu com o rei de meia-idade e com o
mais velho deles. Ao estarem os três ao
mesmo tempo diante do bebê, este assumiu
a aparência da idade que tinha, isto é,
de uma criança de treze dias que aceitou
os três presentes que lhe foram oferecidos.
Ele era rei terreno, era eterno, era Deus".
Segundo
o imaginário
medieval, o incenso, o ouro e a mirra seriam
procedentes das terras do lendário personagem
Preste João, que ficavam ao lado do Paraíso
Terreno. Outras lendas afirmam que os três
produtos foram retirados de uma caverna onde
haviam sido guardados por Adão e seria
sobre a montanha dessa caverna que teria surgido
a estrela para guiar os Reis Magos.
A
Lenda de Preste João
tem a ver com o Estado Utópico, a Sociedade
Ideal, o Mundo Justo, sem conflitos, sem carências,
sem violência, daí toda a riqueza
simbólica dos presentes levados ao Menino
Jesus.
Também é curioso
observar que algumas pinturas dos primeiros séculos,
encontradas nas catacumbas, mostravam dois, quatro
ou doze reis magos adorando Jesus. A fixação
do número três teria a ver com a
representação das três raças:
Amarela, Branca e Negra. Os três presentes
oferecidos também lembravam, em sua simbologia,
o entendimento que a Idade Média tinha
da Santíssima Trindade, na qual o Pai
era imaginado como sacerdote, o Filho como rei
e o Espírito Santo como produtor.
Como
registra Franco Junior (1996) a referência bíblica feita
por São Mateus deu margem a uma rica iconografia
sobre os Reis Magos na Idade Média, surgindo
importantes peças teatrais e até mesmo
a utilização política das
pretensas relíquias dos Reis Magos ( transladados
para a Alemanha entre 1164 e 1165) aos quais
o povo atribuía muitos milagres em 1060. "O
sucesso dos Magos e do esquema trifuncional (
velhice, maturidade, juventude) a partir do Séc.
XI foram fenômenos paralelos resultantes
de um mesmo imaginário. No plano mítico
eles eram um símbolo de totalidade, um
reflexo do próprio Cristo, uma referência
a um conceito que então se fortalecia,
o da Trindade", conclui Franco Junior.
Conclusão
O
que se conclui com esta história é que
os homens são produto do seu tempo e só se
inventa ou se acredita no que é possível
para a época inventar ou acreditar, nas
palavras de Franco Junior. Vivemos numa sociedade
altamente penetrada pela informação,
mas não podemos nos esquecer do substrato
que há por trás da realidade atual,
dos textos que lemos, das imagens que contemplamos,
das festas que partilhamos, das crenças
que confessamos, das notícias e declarações
que colhemos e divulgamos. Afinal, tudo está relacionado,
nada está solto no tempo e no espaço.
Os turbantes de natal aparentemente são
os mesmos do Taleban, mas têm outra história,
outra simbologia, outra significação.
As figuras dos três Reis Magos não
estão ali por acaso. Sequer são três
por acaso, como vimos. Podemos concluir, então,
que o homem não está diante da comunicação,
ele é a comunicação; não
está diante do mundo, ele está dentro
do mundo porque tudo está em permanente
estado de interatividade. O jornalista não
pode perder este sentido da profissão, não
pode incorrer no erro de acolher declarações
isoladas ou de pinçar afirmações
fora do contexto, porque isto significaria desinformar
e confundir, ao invés de esclarecer e contribuir
com a informação total do receptor...o
que dá muito trabalho, é certo, mas
vale a pena quando o detalhe de três turbantes
nos presépios ocidentais nos despertam para
uma história lendária, riquíssima,
sem fim...porque é a nossa história.