Jornalismo
Comunitário nas
Empresas e Instituições
Chama-se
Especializado o jornalismo voltado, pontualmente,
para públicos específicos,
mesmo quando eles recebem o nome de, digamos, Comunidade
Médica Nacional, Comunidade Jurídica,
Comunidade Católica...isto é, quando
se dirige a públicos unidos por interesses
comuns, porém difusamente situados no país
ou no mundo. Não se pode confundir Jornal
Comunitário com Jornal Especializado. Os
vários cadernos que integram os jornais
clássicos, especialmente aos domingos, enquadram-se
bem na definição de Jornalismo Especializado.
Eles se dirigem a públicos específicos
como os apreciadores de Informática ( Caderno
de Informática ), os interessados em comprar
e vender Carros ( Jornal do Carro ), os adolescentes
( Caderno Teen ), os intelectuais ( Mais ), a mulher
( Feminino ), o homem do campo ( Agrícola
) etc.
Quanto
ao Jornalismo Comunitário
propriamente dito, ele tem público específico,
como já foi dito. Ele atua dentro de uma
comunidade, tornando-se ponto de referência.
Temos, assim, jornais comunitários em Empresas,
Escolas, Sindicatos, Igrejas etc. Entretanto, para
manter as características de comunitário, é necessário
que o veículo esteja voltado para o chamado "público
interno". Para isto, é preciso ser feito
a partir dos interesses e expectativas desse público,
da pauta ao produto final. No momento que o jornal
empresarial, escolar, sindical, religioso etc estiver
voltado para o público externo, com o objetivo
de divulgação para outros públicos,
então teremos um veículo especializado
na divulgação daquela empresa, escola,
sindicato, igreja etc.
Misturar
os dois públicos
por medida de "economia" ou por qualquer outro
motivo é um grande erro.Que interesse o
público externo ( clientela da empresa )
terá por assuntos que só dizem respeito
ao público interno da instituição?
E de que serve ao público interno tomar
conhecimento de matérias dirigidas ao público
externo? Somar os dois públicos pode ser
prejudicial à imagem da empresa junto a
seus funcionários. O empregado conhece os
problemas internos da instituição
e ao tomar conhecimento de informações
destinadas aos clientes, pode entender como demagógica
a informação, perdendo a confiança
no empregador.
A
questão dos públicos
fica, assim, bem definida e resolvida. É necessário
ter um produto para cada público, ainda
que da mesma instituição. Afinal é a
partir do público que se caracterizará o
perfil de produção do veículo.
Enquanto o Especializado é a transferência
de conhecimentos sobre determinado assunto, o Comunitário é uma
experiência comum de participação
e de interação. Pode-se dizer que
o Especializado é um jornalismo mais vertical,
de cima para baixo, enquanto o Comunitário
deve ser horizontal, com ampla participação
do receptor-sujeito. Além do mais, enquanto
o público externo exige um produto mais
sofisticado, o público interno prefere uma
linguagem mais descontraída, mais " próxima",
mais coloquial, onde se usam apelidos. Usar linguagem
de sinal trocado ( formal para o público
interno e descontraída para o público
externo ) é matar o veículo no ninho.
EMPRESA
Jaurês Palma, em "Jornalismo
Empresarial" ( Porto Alegre: Sagra-DC Luzzatto,
1994 ) lembra que "a empresa é um módulo
social cuja atividade voltada para o lucro se dá segundo
um processo que não está restrito
ao ato de compra e venda, mas compõe-se,
também, das relações com seus
diversos públicos". Há, portanto,
amplo espaço para os jornalistas atuarem
no chamado Jornalismo Institucional, tanto com
produtos especializados para o público externo,
como com produtos comunitários voltados
para o público interno da instituição.
Trata-se de um mercado amplo, porque, como frisa
o autor, "os futuros jornalistas são preparados
para lidar com códigos de produção
e difusão estritos de jornais diários
e meios eletrônicos de massa...mas os cursos
não estão aparelhados para o ensino
do jornalismo institucional. Paradoxalmente, enquanto
faltam centenas de empregos para as centenas de
formados nos cursos de comunicação
e outros tantos demitidos dos veículos de
massa, há poucos profissionais aptos a exercer
o jornalismo institucional".
Como
não se poder produzir
um veículo comunitário em determinado
bairro sem conhecer bem o lugar, mediante pesquisa,
também não haverá bom êxito
na tentativa de produzir idêntico produto
numa empresa sem conhecê-la a fundo. É fundamental
estudar o organograma da empresa para localizar
os fluxos de informação e as fontes
de notícia. Tratando-se de produto comunitário,
será igualmente oportuno localizar fontes
de informação no meio do público
receptor, isto é, dos funcionários,
através de suas lideranças, Comissões
internas e quaisquer outras manifestações
coletivas.
O
jornalismo comunitário,
dentro de uma empresa ou de um órgão
público, evitará a disseminação
de boatos. No lugar deles, os funcionários
terão informações corretas,
detalhadas e sérias, o que passa ao público
interno um clima de transparência e confiança
na direção da empresa, fator psicológico
que certamente influi na produtividade.
Além do organograma, o
planejador da comunicação interna
deve levar em conta os dados estatísticos
da instituição, seus manuais ou estatutos
internos que servem, inclusive, para orientar os
novos empregados, o fluxograma que determina os
caminhos do expediente, a planta de arranjo que
mostra as instalações etc.
Palma
ensina que, nesse tipo de comunicação, "a mensagem deve ser
criada de acordo com as condições
de recepção, levando em conta, conforme
o caso, a capacidade, condições e
motivação necessários para
o receptor responder ( feedback )adequadamente à mensagem".
Acrescenta que, "dependendo do meio utilizado, é necessário
levar em conta fatores implícitos e explícitos
que possam interferir na mensagem, tais como vocabulário,
condições dos cinco sentidos, nível
hierárquico e nível de valores na
escala do receptor. A resposta à mensagem
emitida deve ser estimulada. Ninguém está disposto
a responder, desconhecendo as razões da
comunicação. Portanto, é necessário,
em primeiro lugar, explicar as razões da
mensagem. Ela estará mais perto de alcançar
os objetivos, quando contiver perguntas ou estímulos
que levem à oportunidade de manifestação
escrita, falada ou contida em posturas e reações".
EQUIPE
Normalmente
financiado pela própria
instituição, o veículo interno
pode contar com a seguinte equipe, conforme proposta
do professor Jaurês Palma:
Editor:
pessoa que dirige e coordena uma publicação periódica.
Redator:
aquele que, além
das incumbências de redação,
tem o encargo de redigir editoriais, crônicas
ou comentários.
Repórter: aquele que cumpre
a determinação de colher notícia
ou informação, preparando-as para
divulgação.
Diagramador:
aquele a quem compete planejar e executar a distribuição
gráfica de matérias, fotografias
e ilustrações de caráter jornalístico,
para fins de publicação.
Programador
visual – técnico
especializado no planejamento de um sistema de
linguagem coerente e uniforme em todos os aspectos
visuais, para publicação.
Arte-finalista – artista gráfico,
desenhista, letrista ou fotógrafo que executa
um trabalho de arte-final: ilustração,
anúncio, cartaz, página de jornal
ou revista, capas ou qualquer trabalho desenhado
e montado.
Ilustrador – aquele que tem a
seu cargo criar ou executar desenhos artísticos
ou técnicos, de caráter jornalístico.
Produtor
gráfico – produção,
execução ou coordenação
de todos os trabalhos de confecção
física de uma revista, jornal, folheto ou
qualquer publicação, dirigindo e
acompanhando todas as etapas da editoração à gráfica,
da marcação dos originais ao acabamento.
Fotógrafo
Esta
seria a equipe ideal. Mas só grandes instituições conseguem
mantê-la. Na maioria das vezes um só jornalista
acaba fazendo tudo.
JUSTIFICATIVA
São muitas as justificativas
para se propor a veiculação de um
jornal interno em uma prefeitura, em uma empresa
ou em qualquer outra instituição
com certo número de funcionários,
embora alguns dirigentes empresariais – de formação
antiquada - ainda insistam em ver na comunicação
interna apenas um desperdício. Jaurês
Palma dá as seguintes justificativas para
o projeto comunitário:
-Seria
de uma inutilidade grosseira a implantação de um jornal ou revista,
se o empresário lhe atribuísse a
função motivadora de solidariedade,
quando a política da empresa sugere o individualismo;
de coesão, quando a política determina
a dispersão; de harmonia de relações,
quando a política leva à diferenciação
nos tratos interpessoais; de dignidade profissional,
quando a política não promove a importância
da classe; de congraçamento, quando a política
promove a competição interna; de
formação de opiniões e atitudes,
quando a política é centralizadora.
O veículo, em sua política, é a
própria empresa. A persuasão, a propaganda,
enquanto fins, não encontram, no jornal
de empresa, um meio adequado. Desta forma, estamos
lembrando que o periódico empresarial é um
recurso tão atual e inevitável quanto
o é o único conceito de administração
compatível com um contexto sócio-econômico
aceitável.