JORNALISMO
COMUNITÁRIO,
CIDADANIA E CULTURA POPULAR
Por
trabalhar mais próximo
da comunidade, o jornalismo comunitário
deve estudar mais a fundo a formação
histórica e social da população à qual
se dirige. Aprofundar-se nos costumes que caracterizam
a cultura popular (religiosidade, arte, vida familiar,
formas de sociabilidade, educação
etc ) e aprender a respeitar e valorizar essa cultura,
reconhecendo nela um processo dinâmico e
vivo, é um bom começo para quem se
inicia no jornalismo comunitário.
Para
captar a alma do povo, o jornalista será sempre um observador privilegiado
e um estudioso da sociologia, aprendendo que os
regionalismos integram, na sua multiplicidade de
variantes, a alma do povo brasileiro. Nas linhas
finais de sua última obra ( O Povo Brasileiro A
formação e o sentido do Brasil. São
Paulo: Cia. das Letras, 1995), Darcy Ribeiro traça
um perfil que todo jornalista deve conhecer e sobre
o qual deve refletir para bem cumprir o seu ofício
de comunicador:
"...apesar de feitos pela fusão
de matrizes tão diferenciadas, os brasileiros
são, hoje, um dos povos mais homogêneos
lingüística e culturalmente e também
um dos mais integrados socialmente da Terra. Falam
a mesma língua, sem dialetos. Não
abrigam nenhum contingente reivindicativo de autonomia,
nem se apegam a nenhum passado. Estamos abertos é para
o futuro", afirma o sociólogo depois de
estudar as origens étnicas de nosso povo
no índio, no negro e no europeu, mais tarde
enriquecidas com a chegada dos orientais.
Diante
de tanto jornalista deslumbrado com outras culturas
e por isto mesmo alimentando
complexos de inferioridade pelos traços
culturais de seu país ou de sua região,
Darcy Ribeiro proclama:
"Nações há no
Mundo Novo Estados Unidos, Canadá, Austrália que
são meros transplantes da Europa para amplos
espaços além-mar. Não apresentam
novidade alguma neste mundo. São excedentes
que não cabiam mais no Velho Mundo e aqui
vieram repetir a Europa, reconstituindo suas paisagens
natais para viverem com mais folga e liberdade,
sentindo-se em casa. É certo que às
vezes se fazem criativos, reinventando a república
e a eleição grega. Raramente. São,
a rigor, o oposto de nós".
A
vocação latina
do povo brasileiro, a natural integração
continental da América do Sul, cada vez
mais discutida em nossos dias, a partir do Mercosul, é vislumbrada
pelo sociólogo:
"Nosso destino é nos unificarmos
com todos os latino-americanos por nossa oposição
comum ao mesmo antagonista, que é a América
anglo-saxônica, para fundarmos, tal como
ocorre na Comunidade Européia, a Nação
Latino-Americana sonhada por Bolívar. Hoje,
somos 500 milhões, amanhã seremos
1 bilhão. Vale dizer, um contingente humano
com magnitude suficiente para encarnar a latinidade
em face dos blocos chineses, eslavos, árabes
e neobritânicos na humanidade futura".
Darcy Ribeiro deixou-nos um legado
de otimismo que muitas vezes falta ao jornalista:
"Estamos nos construindo para
florescer amanhã como uma nova civilização,
mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma.
Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque
incorpora em si mais humanidades. Mais generosa,
porque aberta à convivência com todas
as raças e todas as culturas e porque assentada
na mais bela e luminosa província da Terra".
Na
Comunidade, o jornalista verá refletido,
como num espelho, um pouco de cada um dos matizes
que conformam a alma brasileira. Na cobertura diária,
nas reuniões com o povo, nas festas populares,
nas tradições locais, o comunicador
entrará em contato com o Brasil crioulo,
o Brasil caboclo, o Brasil sertanejo, o Brasil
caipira, os Brasis sulinos, de que fala o mesmo
autor.
"Embora nos ensinem a ter um modo
de vida refinado, civilizado e eficiente numa
palavra, culto não conseguimos evitar
que muitos objetos e práticas que qualificamos
de populares pontilhem nosso cotidiano. Samba,
frevo, maracatu, vatapá, tutu de feijão
e cuscuz, seresta, repente, folheto de cordel,
congada, reisado, bumba-meu-boi, boneca de pano,
talha, mamulengo, colher de pau, moringa, peneira,
carnaval, procissão, benzimento, quebrante,
simpatia, chá de ervas etc são palavras
familiares, algumas numa região, outras
noutra, com sotaque italiano, japonês, alemão
ou árabe, ou ainda de modo supostamente
puro", observa o pesquisador Antonio Augusto Arantes
em "O Que é Cultura Popular" ( São
Paulo: Brasiliense, 1985).
Resgatando
a cultura popular ( que tanto pode ser instrumento
de conservação
como de transformação social, segundo
Ferreira Gullar), nas suas várias manifestações,
o jornalismo comunitário estará contribuindo
para a formação da cidadania, para
que o desconforto das pessoas contra a desigualdade
social gerada pela política neo-liberal
não se transforme em mero sentimento de
constrangimento ou de vergonha, mas que se afirme
como o inconformismo que leva à luta por
uma situação de justiça, de
igualdade, de solidariedade.
Por
isto mesmo o jornalismo comunitário
não deve se voltar para grupos, porque isto
significaria oprimir ainda mais o povo através
da desinformação ou do sectarismo
político-partidário. Deve, isto sim,
abraçar as causas populares e usar a força
do veículo comunitário junto aos
que têm poder de decisão para forçar
a solução dos problemas que afligem
a comunidade, no seu dia-a-dia.
É nobre e de grande responsabilidade
a tarefa do jornalismo comunitário.
A
propósito de cultura
popular e cidadania, o educador Paulo Freire participou,
como conferencista, da produção de
um vídeo popular em apoio à campanha
de erradicação do analfabetismo promovida
pelo Banco do Brasil em maio de 1994, com o título "Educação
e Mudança". E ao falar para educadores,
Paulo Freire está falando, naturalmente,
para líderes comunitários que têm
o pode de influir na opinião pública
do lugar onde trabalham. Entre esses líderes
estão, naturalmente, os jornalistas comunitários,
nos quais a comunidade aprende a confiar e dos
quais espera comportamento ético, sereno
e responsável.
Segundo
ele, a tarefa do educador é uma
tarefa "gnosiológica", isto é, que
envolve o processo do conhecimento. Para transmitir
ensinamentos, ele precisa ter clareza política,
visão de mundo e método de trabalho. À medida
que transfere o conhecimento, ele "reconhece" o
que conheceu durante o estudo do objeto, capacitando-se,
assim, cada vez mais, como formador.
Na
comunidade, o jornalista é permanentemente
convidado a integrar órgãos colegiados,
associações, grupos de debate, jurado
de eventos culturais etc. Isto ocorre porque a
comunidade reconhece nele a capacidade de liderar
e de influenciar. Dotado de princípios éticos,
o comunicador comunitário deve aproveitar
esse contato direto para estar sempre aprendendo
com a comunidade de modo a poder servi-la cada
vez melhor, sem jamais impor os seus processos,
mas sempre discutindo, democraticamente, o melhor
caminho em cada situação.
De
quem lidera, a comunidade também
aguarda um pouco de esperança, de estímulo,
alguém que sabe não apenas criticar
mas também propor soluções.
Paulo Freire denuncia como artimanha do capitalismo
neo-liberal a estratégia de dizer que as
utopias morreram, que não adianta mais sonhar,
que a pobreza é um determinismo histórico,
que os pobres devem se conformar com a vida que
levam etc.
O
formador de opinião deve
enfrentar essa barreira, segundo Freire, porque é uma
barreira imposta pela ideologia das classes dominantes.
O educador/formador deve resgatar a esperança
do povo num mundo melhor, fazendo-o sentir-se sujeito
da história e não mero objeto dela
ou um joguete do destino. Se há exclusão
social a culpa não é dos excluídos,
mas do modelo perverso de sociedade que temos.
Por isto a cidadania é um processo em permanente
construção, é um direito a
ser exercido por todos, sem qualquer tipo de exclusão
por analfabetismo, cor, situação
econômica, crença, convicção
política etc. Na medida que o comunicador
comunitário dá as costas para os
interesses do coletivo e passa a servir a este
ou aquele grupo, ele está traindo a confiança
da comunidade e retirando dela o direito à cidadania.
E ninguém pode tirar do outro o direito
de sonhar e de lutar. "A existência ultrapassa
a vida; pode haver vida sem sonho, mas não
há existência sem sonho", diz Paulo
Freire esclarecendo que existir socialmente, como
cidadão, é mais que viver biologicamente
como qualquer ser vivo.
O
jornalista comunitário
não pode se limitar a perceber que tem nas
mãos o dever social de mudar o mundo, de
torná-lo melhor e mais justo. Ele precisa
assumir, na prática, esse discurso, colocando
seu trabalho, seu jornal, seu veículo, a
serviço da coletividade em toda e qualquer
circunstância.
Se
não estiver preparado
para ter uma visão crítica da história
e da sociedade, o jornalista poderá contribuir
para alienar ainda mais ao invés de libertar
os excluídos. "Quando o Sujeito não
se reconhece como produtor das obras e como sujeito
da história, mas toma as obras e a história
como forças estranhas, exteriores, alheias
a ele e que o dominam e perseguem, temos o que
Hegel designa como alienação. Esta é a
impossibilidade do sujeito histórico identificar-se
com sua obra, tomando-a como um poder separado
dele, ameaçador e estranho", observa Marilena
Chauí em O Que É Ideologia ( São
Paulo: Brasiliense, 1980).
Na
comunidade, o jornal e o jornalista devem apoiar
e incentivar as manifestações
da cultura popular, como teatro, música,
poesia, arte etc. Para Antonio Arantes, "fazer
qualquer modalidade de arte é construir,
com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece,
com as suas roupagens identificadoras particulares,
e concretas, o que é mais abstrato e geral
num grupo humano, ou seja, a sua organização,
que é condição e modo de sua
participação na produção
da sociedade"
JORNALISMO
COMUNITÁRIO, CIDADANIA
E CULTURA POPULAR
Por
trabalhar mais próximo
da comunidade, o jornalismo comunitário
deve estudar mais a fundo a formação
histórica e social da população à qual
se dirige. Aprofundar-se nos costumes que caracterizam
a cultura popular (religiosidade, arte, vida familiar,
formas de sociabilidade, educação
etc ) e aprender a respeitar e valorizar essa cultura,
reconhecendo nela um processo dinâmico e
vivo, é um bom começo para quem se
inicia no jornalismo comunitário.
Para
captar a alma do povo, o jornalista será sempre um observador privilegiado
e um estudioso da sociologia, aprendendo que os
regionalismos integram, na sua multiplicidade de
variantes, a alma do povo brasileiro. Nas linhas
finais de sua última obra ( O Povo Brasileiro A
formação e o sentido do Brasil. São
Paulo: Cia. das Letras, 1995), Darcy Ribeiro traça
um perfil que todo jornalista deve conhecer e sobre
o qual deve refletir para bem cumprir o seu ofício
de comunicador:
"...apesar de feitos pela fusão
de matrizes tão diferenciadas, os brasileiros
são, hoje, um dos povos mais homogêneos
lingüística e culturalmente e também
um dos mais integrados socialmente da Terra. Falam
a mesma língua, sem dialetos. Não
abrigam nenhum contingente reivindicativo de autonomia,
nem se apegam a nenhum passado. Estamos abertos é para
o futuro", afirma o sociólogo depois de
estudar as origens étnicas de nosso povo
no índio, no negro e no europeu, mais tarde
enriquecidas com a chegada dos orientais.
Diante
de tanto jornalista deslumbrado com outras culturas
e por isto mesmo alimentando
complexos de inferioridade pelos traços
culturais de seu país ou de sua região,
Darcy Ribeiro proclama:
"Nações há no
Mundo Novo Estados Unidos, Canadá, Austrália que
são meros transplantes da Europa para amplos
espaços além-mar. Não apresentam
novidade alguma neste mundo. São excedentes
que não cabiam mais no Velho Mundo e aqui
vieram repetir a Europa, reconstituindo suas paisagens
natais para viverem com mais folga e liberdade,
sentindo-se em casa. É certo que às
vezes se fazem criativos, reinventando a república
e a eleição grega. Raramente. São,
a rigor, o oposto de nós".
A
vocação latina
do povo brasileiro, a natural integração
continental da América do Sul, cada vez
mais discutida em nossos dias, a partir do Mercosul, é vislumbrada
pelo sociólogo:
"Nosso destino é nos unificarmos
com todos os latino-americanos por nossa oposição
comum ao mesmo antagonista, que é a América
anglo-saxônica, para fundarmos, tal como
ocorre na Comunidade Européia, a Nação
Latino-Americana sonhada por Bolívar. Hoje,
somos 500 milhões, amanhã seremos
1 bilhão. Vale dizer, um contingente humano
com magnitude suficiente para encarnar a latinidade
em face dos blocos chineses, eslavos, árabes
e neobritânicos na humanidade futura".
Darcy Ribeiro deixou-nos um legado
de otimismo que muitas vezes falta ao jornalista:
"Estamos nos construindo para
florescer amanhã como uma nova civilização,
mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma.
Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque
incorpora em si mais humanidades. Mais generosa,
porque aberta à convivência com todas
as raças e todas as culturas e porque assentada
na mais bela e luminosa província da Terra".
Na
Comunidade, o jornalista verá refletido,
como num espelho, um pouco de cada um dos matizes
que conformam a alma brasileira. Na cobertura diária,
nas reuniões com o povo, nas festas populares,
nas tradições locais, o comunicador
entrará em contato com o Brasil crioulo,
o Brasil caboclo, o Brasil sertanejo, o Brasil
caipira, os Brasis sulinos, de que fala o mesmo
autor.
"Embora nos ensinem a ter um modo
de vida refinado, civilizado e eficiente numa
palavra, culto não conseguimos evitar
que muitos objetos e práticas que qualificamos
de populares pontilhem nosso cotidiano. Samba,
frevo, maracatu, vatapá, tutu de feijão
e cuscuz, seresta, repente, folheto de cordel,
congada, reisado, bumba-meu-boi, boneca de pano,
talha, mamulengo, colher de pau, moringa, peneira,
carnaval, procissão, benzimento, quebrante,
simpatia, chá de ervas etc são palavras
familiares, algumas numa região, outras
noutra, com sotaque italiano, japonês, alemão
ou árabe, ou ainda de modo supostamente
puro", observa o pesquisador Antonio Augusto Arantes
em "O Que é Cultura Popular" ( São
Paulo: Brasiliense, 1985).
Resgatando
a cultura popular ( que tanto pode ser instrumento
de conservação
como de transformação social, segundo
Ferreira Gullar), nas suas várias manifestações,
o jornalismo comunitário estará contribuindo
para a formação da cidadania, para
que o desconforto das pessoas contra a desigualdade
social gerada pela política neo-liberal
não se transforme em mero sentimento de
constrangimento ou de vergonha, mas que se afirme
como o inconformismo que leva à luta por
uma situação de justiça, de
igualdade, de solidariedade.
Por
isto mesmo o jornalismo comunitário
não deve se voltar para grupos, porque isto
significaria oprimir ainda mais o povo através
da desinformação ou do sectarismo
político-partidário. Deve, isto sim,
abraçar as causas populares e usar a força
do veículo comunitário junto aos
que têm poder de decisão para forçar
a solução dos problemas que afligem
a comunidade, no seu dia-a-dia.
É nobre e de grande responsabilidade
a tarefa do jornalismo comunitário.
A
propósito de cultura
popular e cidadania, o educador Paulo Freire participou,
como conferencista, da produção de
um vídeo popular em apoio à campanha
de erradicação do analfabetismo promovida
pelo Banco do Brasil em maio de 1994, com o título "Educação
e Mudança". E ao falar para educadores,
Paulo Freire está falando, naturalmente,
para líderes comunitários que têm
o pode de influir na opinião pública
do lugar onde trabalham. Entre esses líderes
estão, naturalmente, os jornalistas comunitários,
nos quais a comunidade aprende a confiar e dos
quais espera comportamento ético, sereno
e responsável.
Segundo
ele, a tarefa do educador é uma
tarefa "gnosiológica", isto é, que
envolve o processo do conhecimento. Para transmitir
ensinamentos, ele precisa ter clareza política,
visão de mundo e método de trabalho. À medida
que transfere o conhecimento, ele "reconhece" o
que conheceu durante o estudo do objeto, capacitando-se,
assim, cada vez mais, como formador.
Na
comunidade, o jornalista é permanentemente
convidado a integrar órgãos colegiados,
associações, grupos de debate, jurado
de eventos culturais etc. Isto ocorre porque a
comunidade reconhece nele a capacidade de liderar
e de influenciar. Dotado de princípios éticos,
o comunicador comunitário deve aproveitar
esse contato direto para estar sempre aprendendo
com a comunidade de modo a poder servi-la cada
vez melhor, sem jamais impor os seus processos,
mas sempre discutindo, democraticamente, o melhor
caminho em cada situação.
De
quem lidera, a comunidade também
aguarda um pouco de esperança, de estímulo,
alguém que sabe não apenas criticar
mas também propor soluções.
Paulo Freire denuncia como artimanha do capitalismo
neo-liberal a estratégia de dizer que as
utopias morreram, que não adianta mais sonhar,
que a pobreza é um determinismo histórico,
que os pobres devem se conformar com a vida que
levam etc.
O
formador de opinião deve
enfrentar essa barreira, segundo Freire, porque é uma
barreira imposta pela ideologia das classes dominantes.
O educador/formador deve resgatar a esperança
do povo num mundo melhor, fazendo-o sentir-se sujeito
da história e não mero objeto dela
ou um joguete do destino. Se há exclusão
social a culpa não é dos excluídos,
mas do modelo perverso de sociedade que temos.
Por isto a cidadania é um processo em permanente
construção, é um direito a
ser exercido por todos, sem qualquer tipo de exclusão
por analfabetismo, cor, situação
econômica, crença, convicção
política etc. Na medida que o comunicador
comunitário dá as costas para os
interesses do coletivo e passa a servir a este
ou aquele grupo, ele está traindo a confiança
da comunidade e retirando dela o direito à cidadania.
E ninguém pode tirar do outro o direito
de sonhar e de lutar. "A existência ultrapassa
a vida; pode haver vida sem sonho, mas não
há existência sem sonho", diz Paulo
Freire esclarecendo que existir socialmente, como
cidadão, é mais que viver biologicamente
como qualquer ser vivo.
O
jornalista comunitário
não pode se limitar a perceber que tem nas
mãos o dever social de mudar o mundo, de
torná-lo melhor e mais justo. Ele precisa
assumir, na prática, esse discurso, colocando
seu trabalho, seu jornal, seu veículo, a
serviço da coletividade em toda e qualquer
circunstância.
Se
não estiver preparado
para ter uma visão crítica da história
e da sociedade, o jornalista poderá contribuir
para alienar ainda mais ao invés de libertar
os excluídos. "Quando o Sujeito não
se reconhece como produtor das obras e como sujeito
da história, mas toma as obras e a história
como forças estranhas, exteriores, alheias
a ele e que o dominam e perseguem, temos o que
Hegel designa como alienação. Esta é a
impossibilidade do sujeito histórico identificar-se
com sua obra, tomando-a como um poder separado
dele, ameaçador e estranho", observa Marilena
Chauí em O Que É Ideologia ( São
Paulo: Brasiliense, 1980).
Na
comunidade, o jornal e o jornalista devem apoiar
e incentivar as manifestações
da cultura popular, como teatro, música,
poesia, arte etc. Para Antonio Arantes, "fazer
qualquer modalidade de arte é construir,
com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece,
com as suas roupagens identificadoras particulares,
e concretas, o que é mais abstrato e geral
num grupo humano, ou seja, a sua organização,
que é condição e modo de sua
participação na produção
da sociedade"